Leituras
1. COSTA, Ivan Freitas. Marketing Cultural. 1ª ed. São Paulo: Atlas, 2004.
2. GORZ, Andre. O Imaterial - Conhecimento, Valor e Capital. 1ª ed. São Paulo: Annablume, 2005.
3. YUNUS, M.; JOLIS, A. O Banqueiro dos Pobres. São Paulo: Ática, 2001.
Resenhas dos livros
1. Marketing Cultural
Construir marcas fortes e estabelecer laços mais estreitos com o público-alvo são preocupações-chave de empresas e profissionais de marketing na nova ordem do mercado.
O Marketing Cultural - entendido como o patrocínio de atividades culturais por empresas cujo produto ou serviço último não é um produto cultural - apresenta-se como alternativa para atingir os objetivos de comunicação corporativa e construção de marca, sendo uma estratégia já utilizada com sucesso por muitas empresas, inclusive no Brasil.
Este livro oferece base teórica à gestão de patrocínios culturais por parte das empresas, complementada com diversos casos de sucesso no exterior e principalmente no Brasil. Contribui, assim, para o histórico da atividade no país e, ao aproximar teoria e prática, constitui uma fonte de referência essencial sobre o tema.
Como resultado, patrocinadores poderão ter instrumental para orientar sua estratégia de investimentos, de forma que o investimento em cultura se traduza em resultados efetivos; promotores culturais poderão conhecer com mais detalhe os critérios considerados pelas empresas e as contrapartidas que estas esperam; e, finalmente, a sociedade poderá ser beneficiada com uma produção cultural diversificada e acessível.
2. O Imaterial – Conhecimento, Valor e Capital
Este livro dedicado ao imaterial é mais uma importante incursão crítica de André Gorz nos meandros da sociedade contemporânea.
O Imaterial continua a reflexão desenvolvida em livros como Metamorfoses do Trabalho e Misérias do Presente, Riqueza do Possível, ambos publicados nesta mesma coleção, aprofundando a crítica à atual expansão desenfreada da racionalidade econômica. Mas vai além.
Direciona sua crítica à tentativa do pensamento dominante de subordinar a produção coletiva, mais simbólica que material, à lógica do lucro capitalista; e também denuncia a apropriação privada pelas corporações capitalistas dessa mesma produção coletiva. Enfatiza a necessidade de se diferenciar o conhecimento, que pode ser codificado e apropriado privadamente, dos saberes vivos e vividos que não podem se desvincular das habilidades das pessoas e, por isso, não são passíveis de apropriação privada. Enfim, o livro é mais uma contribuição relevante de um autor cuja obra constitui-se numa das mais fecundas análises da sociedade contemporânea.
3. Texto para reflexão – Marta Rocha
Há pouco mais de 20 anos (1983) Theodore Levitt entronizou a expressão “globalização”, num artigo em que sentenciava: “a globalização dos mercados é iminente”. Desde então, o desenvolvimento tecnológico produziu a revolução que conhecemos. Recentemente no Brasil, o presidente mundial de uma empresa de tecnologia contava numa palestra que em breve desaparecerão os objetos eletrônicos e as casas terão algo semelhante a uma tela de plasma que funcionará como um servidor geral para todas as utilidades comandadas por voz...
Assim, em dez anos passamos do surgimento da Internet até essa fantástica forma de convergência, tocada à voz, que decretará o fim dos aparelhos eletrônicos. É realmente impossível definir os contornos precisos dessa Era Global marcada por mutações tecnológicas tão rápidas.
A globalização é o resultado de um processo de tecnologia instalado no tecido social. Esse processo cria uma conectividade; o tecido social com tal tecnologia ganha ‘sensibilidade biológica’. Quando eu piso o seu dedinho, na mesma hora, a sua cabeça percebe e você reage: ‘tire o pé daí!’ Esse é o tempo real – o tempo de uma organização ser agredida em um determinado ponto, percebê-lo e reagir em relação àquela agressão. Hoje, uma empresa saudável precisa lembrar que, com a tecnologia da informação, o tecido social adquiriu a sensibilidade biológica.
As empresas, por sua vez, tornaram-se organismos vivos, com sensibilidade, capacidade de adaptação e resposta em tempo real; como se fossem pessoas. E são avaliadas como as pessoas por todas as suas ações.
Segundo um conhecido pensador do marketing contemporâneo, “os patrocínios e investimentos sociais, culturais, ambientais e esportivos são para as empresas o que as atitudes são para os indivíduos: um meio concreto de expressão”. Daí a expansão da noção de responsabilidade social, a utilização cada vez maior de ações socioculturais, o uso da visibilidade e da emoção proporcionadas pelas ações e o benefício adquirido pela ampliação da consciência da sociedade e a conseqüente vinculação à marca desse novo nível de consciência.
Cresce cada vez mais a participação individual, as pessoas estão atentas e críticas às atitudes das empresas. E estas necessitam atender aos interesses da comunidade, o que requer uma comunicação ética com os consumidores e cidadãos, de efeito residual positivo. Ou seja, é preciso agir antes de se comunicar.